J. Galvão


16/07/2008


A educação precisa ser a base da sociedade brasileira

          

 

 

 

 

         Estamos no início de mais uma Campanha Eleitoral para escolhermos prefeitos e vereadores. Ao recordar as últimas eleições, realizadas há dois anos atrás, quando deputados, senadores e presidente foram eleitos, pude perceber que o candidato à Presidência da República, Cristóvam Buarque, do PDT, foi realmente o que apresentou a melhor proposta.

 

            Muito criticado por falar apenas em Educação, vejo hoje o quanto Cristóvam Buarque poderia ter contribuído ao Brasil caso ocupasse o cargo da Presidência. É evidente que não se pode confiar na palavra dos candidatos às eleições, entretanto, se daquela vez a proposta fosse efetivada, o Brasil teria feito a melhor escolha.

            O problema é que tem se investido muito pouco na educação brasileira. O número de analfabetos continua altíssimo e, quando se é considerado escolarizado, a maioria dos alunos consegue apenas decodificar as palavras.

            Para Ângela Kleiman, em “Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura”, não poderá haver compreensão textual se o leitor não tiver o conhecimento prévio lingüístico. É necessário conhecer o vocabulário, a pronúncia e as regras sobre o uso da língua. Não basta apenas decodificar as palavras.

            Outros aspectos que são imprescindíveis para a conquista da compreensão textual são os conhecimentos textuais – que é o conjunto de noções e conceitos sobre o texto – e o de mundo – que é o conhecimento em determinado assunto, tanto em áreas especializadas por profissionais quanto em questões básicas. Sem o engajamento desses três conhecimentos prévios, que se dá no âmbito da leitura, o leitor jamais conseguirá compreender o texto.

            Mário Porini, da UFMG, em seu texto “A leitura funcional”, acredita que a maior parte da população brasileira adulta é funcionalmente analfabeta. Ela é impedida de se informar e de formar sua opinião sobre uma gama crescente de assuntos.

            O analfabeto funcional corresponde àquela parcela da população que sabe ler e escrever, porém não adquiriu educação suficiente para a compreensão adequada de um texto. Esta parcela de “alfabetizados” pode ser encontrada até mesmo no Ensino Médio. Essa realidade leva a crer que a escola não está conseguindo alfabetizar funcionalmente os estudantes brasileiros.

            Anteriormente falei que é necessário o conhecimento de mundo para que haja sentido no processo da leitura. O grande problema é que, se o cidadão não possui uma educação básica adequada nos campos da Geografia, História, Ciência, Matemática e do próprio Português, é impossível compreender o texto mais simples que existe.

            A falta da democratização informacional também tem afetado a construção particular desse conhecimento prévio de mundo. A precariedade das condições sócio-econômicas é um dos maiores impulsionadores para a crescente massa de analfabetos funcionais. É complicado investir quase R$40,00 ao mês para a aquisição de uma assinatura de uma revista semanal. Fica financeiramente difícil investir na assinatura de um jornal diário quando o que o salário líquido não chega a R$ 800,00.

            É interessante salientar que até no nível acadêmico as condições econômicas também fazem toda a diferença. Quando o Governo Federal deixa de investir em alguns cursos de graduação a Biblioteca empobrece. Quando isso ocorre, o estudante, que não tem condições para adquirir livros, tem seu curso prejudicado por falta de conhecimento especializado.

            A democratização informacional consiste na difusão destes conhecimentos de mundo para toda a população. Caso Cristóvam Buarque efetivasse sua proposta, ele teria que, obrigatoriamente, investir nesta democratização para que pudesse ver seu ideal realizado com sucesso.

            O Governo deveria investir na construção e na manutenção de bibliotecas públicas federais, pois este seria o primeiro passo para a democratização informacional. O investimento em programações com alto valor cultural em canais abertos televisivos seria essencial para a formação intelectual e cultural do povo brasileiro.

            Vale salientar que a preocupação com as bibliotecas se daria também no âmbito da Internet, dos jornais e das revistas. Seriam grandes espaços voltados para a construção e o desenvolvimento do saber. Elaboração de livros criados através da junção de artigos de estudantes, além de fomentar o incentivo a prática da leitura, impulsionaria o surgimento de novas idéias e técnicas em diferentes áreas de conhecimento. Além disso, elevaria a auto-estima do alunado das classes sociais mais baixas da sociedade.

            A falta de investimentos na fase pré-escolar, sobretudo na alfabetização, tem prejudicado as crianças que, num futuro próximo, sentirão falta de uma base educacional mais profunda. A péssima qualidade do conteúdo dos textos disponíveis para alunos de baixa renda tem agravado o problema.

            Adolescentes que não conseguem assimilar idéias e possuem enorme dificuldade para responder a questionamentos a respeito do próprio lugar onde vivem são tendenciosos a estarem na “lista” dos analfabetos funcionais.

            A Grécia é considerada o berço da civilização ocidental por ter investido alto na educação de qualidade. Em Atenas, a arte se mesclava com as Ciências Exatas e Sociais. O povo ateniense fez parte de uma sociedade desenvolvida e exemplar porque seus representantes conseguiram educá-los a não apenas absorverem informações, mas os impulsionaram a aprender a pensar.

            Segundo José Marques de Melo, a educação está entre os fatores básicos para o processo de formação de opiniões individuais. Através dela, o cidadão delineia suas normas de conduta e amplia seus conhecimentos do mundo.

            O problema é que no Brasil, nem a educação clássica – a que se aprende na escola – nem a educação informal – a que se aprende com as experiências pessoais e com a arte – têm sido consideradas importantes para receberem urgentes investimentos.

            A verdade é que nossas autoridades não desejam que a população compreenda o mundo através da educação, justamente para não saberem quais são os direitos de cada cidadão. A educação é de suma importância para alicerçar todo o desenvolvimento de uma nação.

Escrito por jornalista galvao às 16h43
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14/07/2008


O Mercado de Trabalho é o novo Inimigo da Intelectualidade

         

  

 

 

          Agora falo igual a Danilo Gentili em seu site: “Tudo que tenho é o meu pensamento. Nesse mundo, onde uma bunda vale mais do que mil cérebros, sou politicamente incorreto”.

 

É imoral o que está acontecendo no mercado de trabalho. Você passa 15 anos da sua vida pagando um colégio particular com o objetivo de ser um cidadão mais educado, mais competente e com maiores possibilidades de ingressar numa universidade pública e de qualidade.

Você consegue entrar nessa universidade pública, supostamente qualificada, estuda, se esforça, dorme tarde, acorda cedo, corre em busca de computador, de internet, de livros, de dinheiro, de passagem de ônibus... Enfim, você gasta uma fortuna desde que nasceu para, supostamente, conseguir ingressar no mercado de trabalho.

Quando você chega ao fim do seu curso, você percebe que os “rostinhos lindos da TV” estão inseridos até mesmo no jornal... Os anos árduos de estudo, os livros lidos, as apostilas copiadas, os seminários e o esforço para arrancar um elogio de seu professor universitário são substituídos, de maneira nada discreta, pela incompetência e desqualificação de supostos âncoras que, por fazerem parte do número restrito de “rostinhos fofos e angelicais” impedem jornalistas formados, especializados e competentíssimos de exercerem essa função que, embora esteja tão menosprezada pelas políticas administrativas das grandes empresas jornalísticas, é importantíssima e exige treinamento e inteligência adquirida, no mínimo, com alguns anos de experiência na redação de um jornal.

O padrão norte-americano de ser, ou brasileiramente dizendo, o padrão “angelical gaúcho” de ser, tem sido a preferência. Não discordo com as emissoras de TV quando preferem rostos lindos, até porque detesto ver gente feia na TV. Mas o problema é que para ser jornalista não é necessário ser uma Top Model ou um Clark Kent. É necessário, acima de tudo, disciplina, qualidade e responsabilidade. Os telespectadores querem ver jornalistas bonitos, mas me diz uma coisa, quem é que fica feio depois de um trato no cabelo e maquiagem?

O que não dá é aceitar “rostinhos norte-americanos” que não possuem Curso Superior em Comunicação Social, na habilitação de Jornalismo, apresentando reportagens elaboradas por profissionais competentes. Profissionais que, infelizmente, precisam se submeter aos tais “âncoras” que não possuem capacidade para escrever sequer uma notinha de rodapé.

É complicado também você chegar no fim do curso e perceber que as empresas querem seus serviços... “Como assim?”, você pergunta. Então eu te respondo: Você dificilmente encontra um estágio remunerado, e quando o é, só são conquistados depois do sexto período, ou seja, a partir do sétimo. Salientando que o Curso de Comunicação é concluído no oitavo período, nota-se que as empresas financiam você durante apenas um ano e depois é “pé na bunda”.

As empresas contratam seus serviços a troco de um salário mínimo. Serviços estes que já competem a um profissional formado. Depois elas te demitem e contratam outro estudante quase concluinte do curso, e assim sucessivamente. Entenderam o jogo de idéias das empresas? Afinal, usufruem da capacidade dos estudantes, mas no final nunca contratam como profissionais formados.

É difícil você ter que engolir um mercado que não abre espaço digno para estagiários. Digo “digno” porque espaço “indigno” é só o que tem. Algumas empresas jornalísticas não aceitam estagiários. Outras aceitam com remuneração, mas só passa na entrevista que tiver “rostinho de anjo” e “costas largas”. Outras aceitam estagiários de toda qualidade: pagam as passagens, o estudante é obrigado a estar lá de segunda à sexta, todas as tardes, fica durante um ano, trabalha sem remuneração e no final, não é contratado pela empresa. Os estagiários elaboram as reportagens para os jornalistas, mas os jornalistas é quem assinam o texto... Os estagiários buscam informações, gastam dinheiro para lanchar (isso quando consegue paitrocínio) ou morrem de fome nas redações e ainda têm a tristeza de ver o dono da empresa sendo processado por sonegar bilhões de reais. Não digo milhões, digo BILHÕES.

O mercado de trabalho, infelizmente, tem se tornado um inimigo da intelectualidade. Esses fenômenos catastróficos que temos visto têm decepcionado os jovens estudantes de maneira tal que muitos têm desistido do curso ou do próprio mercado por se sentirem inapropriados para a função que tanto sonhou.

Chega de fábulas, chega de fantasias, a realidade é outra: Não basta estudar, não basta “ralar”. Restam-nos apenas três opções, para quem deseja trabalhar com Telejornalismo: Ter o padrão norte-americano, ter “peixe” na empresa ou ter muita sorte. Das três fico com a última, e minha inteligência adquirida por longos anos de leitura e estudo fica, mais uma vez, pra trás...

 

Bem-vindos ao mercado de trabalho do Brasil!

Escrito por jornalista galvao às 16h57
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BRASIL, Mulher, Estudante de Comunicação - Jornalismo

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